Fico imaginando às vezes em ser um excelente professor. Vejo exemplos de exímios mestres que fazem sucesso e são prestigiados pela profissão e pessoas do meio e tudo mais. Alguns quando entram na sala chego a me arrepiar e aí me dá mais vontade de sê-lo. Bem, sabemos que querer é diferente de ser. Não sei se realmente posso ser um professor, se posso revolucionar os rumos da educação brasileira. Afinal de contas o que eu tenho mais que os outros? Absolutamente nada. Nada mesmo. Estou aqui e ainda nem li tudo que era pra ler e sempre tenho muita preguiça. Acho então que, na verdade, sou o falso inteligente. Eita meu Deus é isso! que triste constatação! Falar palavras difíceis e querer discernir assuntos diversos dando-lhes um valor filosófico não é falsa inteligência? Suponho que sim! que idiota! pegar umas palavrinhas aqui, outras ali, dar um bom discurso, ou uma modinha de oratória e achar que pode ser professor! balbúrdia minha! mas eu deveria ser mais humilde. Poxa mas eu não sou bolas! e se eu tenho a falsa humildade? Dar um ar de superior. Mas eu tenho os complexos, o de feiúra e o de inferioridade. Então dá pra equilibrar não é? até porque tudo tem que ter uma compensação. Espero que eu consiga ser professor, logo eu, como meu discurso de bom moço e a minha simpatia desenfreada; eu com meus excessos e meus maneirismos, minha tolice e minha raiva. Ser professor é ter contato. Captar situações as mais diversas. Eu sou o remanescente. Eu enviesado, a la degradeé. Era pra ser Professor Adson, agora vai ser louco, perdido num mundo de sonhos....
sábado, 14 de março de 2009
Pra sair do básico
Nem tudo é tão ruim assim. A menina da esquina toda vez olha pela fresta da janela quando eu passo em sua casa. Ela sorri e quando eu olho tira a vista. Já procuro passar na hora certinha, pra vê-la de novo. No ônibus fico pensando se ela saísse, assim de repente, e me desse um oi, um oi covincente...entendem sim? Ou ainda mais surreal: ela pula da janela, abre o portão, corre e pula nos meus braços e me dá um beijo! Coisa de filme de comédia-romântica...e eu fico imaginando no ônibus, nos meus pensamentos de cara que está indo de ônibus à universidade entende? pensamentos de um cara que fica fazendo cara feia de cansaço perto da menina mais bonita do ônibus pra que ela se compadeça e pegue suas coisas, ali jaz uma chance, uma oportunidade que não pode ser descartada. É nas situações mais inusitadas que acontecem as coisas não é? Desço do ônibus tentando roçar o corpo numa menina, sei lá pra ver se ela olha ou quem sabe até...ah sei não. É o senso do olhar e do toque. Só eu mesmo. Sair de casa, entrar no ônibus, chegar na universidade, ficar lá na sala, olhando as meninas, lanchar, falar besteira, escutar besteira, depois pegar o ônibus de novo e retornar, passar pela esquina, olhar se ela olha da fresta da janela, e assim na rotina da vida, eu vou pegando as chances e quem sabe um dia funciona. Inesperadamente, é assim que funciona...
Um mundo que não existe mais
Lembro-me ainda da minha infância, quando pulava nos bancos de areia do bairro onde eu cresci. Meus primos, colegas e eu brincávamos de fazer bonequinhos com o barro da barreira que ficava atrás da casa de vovó. Depois de completamente imundos, abríamos a torneira e tomávamos banho com a mangueira pra tirar o excesso de lama antes de entrar no banheiro. De noite era bom olhar as estrelas e imaginar que figura formavam as nuvens lá em cima. Sabíamos os segredos uns dos outros e toda vez que alguém ficava triste, cada um vinha e consolava, insistia e depois todo mundo começava a sorrir de novo. Comíamos juntos, dormíamos juntos e quando havia relâmpago e trovão a gente se abraçava e depois ria e voltava a dormir de novo. De manhã, briga de travesseiro e no domingo vovó preparava algo especial pra comermos. Uma vez fiquei triste porque as férias haviam acabado e teria que voltar pra casa. Cresci e vieram as responsabilidades e eu me perdi num mundo que não existia mais. Um mundo onde as pessoas conversam pela "lateral" e não se olham mais nos olhos. A existência ficou restrita a uma gama de conveniências onde se preza pelo "ter" e não pelo "ser". Onde nos escondemos? Por que chegamos ao ponto de, como vi um dia desses, uns caras chamarem o amigo de gay por ter beijado o irmão no rosto. A violência aumentou e aí os pais começaram a matar os filhos e vice e versa. O garoto assassinado pelo amigo de infância e o dinheiro começou a falar mais alto que o caráter. As pessoas bebem pra esquecer os problemas que no outro dia retornam numa fuga sem fim ou "ficam" com quem tiver na frente só pra provarem pros outros que andam na "onda " deste novo tempo. Acho que eu não sou mais mim. Acho que nós não somos mais nós. Falta-nos um pedaço. Não falo de amor pra não parecer romântico demais e nem de afeto e carinho pra também não ser dramático. Falo de VIDA: onde ela foi parar? num mundo tenebroso em que a felicidade ficou fragmentada e é instantânea a ponto de, se passar "pegue" senão ela vai embora e não é mais. Fiquei restrito só aos momentos da minha mente. Daquele toque, daquele cheiro, do beijo da última garota que fiquei, do último apertar de mão, do último abraço, do último "eu te amo". Já foi, só me resta a expectativa. Quero agora ficar bem perto dos novos. Ficar com eles é o meu consolo. O novo é sempre bom, sempre esperançoso. Um mundo que não existe mais, existe pra aqueles que ainda sentem frio na barriga quando vêem uma garota.
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