quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Sensações

As neuroses sempre me perseguiram. Tinha medo de tudo. De ir à escola. De falar com desconhecidos, de conversar, de brigas, de trovão e relâmpago, tinha medo, muito medo. Tinha medo de viver, de enfrentar as situações mais simples que fossem. Quando adolescente tinha medo do exército. Tinha cisma com o corpo, com a cara, achava que iria morrer cedo. Assistia às tragédias, acidentes, assassinatos e pensava que logo chegaria a minha vez. Na verdade, foi tudo sempre um drama. Melindroso? talvez eu seja. E o sou realmente. Não, na verdade o fui. O que eu sempre amei mesmo foram as sensações. Era salvo por elas. Quando aturdido pelos vendavais da tão exaurida ação de viver, de passar as horas, de cruzar os momentos, ultrapassá-los ou burlá-los, a bonança chegava com o frescor das sensações. Os desejos, as atrações, os sentimentos, as pessoas (algumas, muito poucas é claro). Eram momentos raros. Era a minha fuga. Até hoje uso esses artifícios. É um mecanismo de defesa. Eu sou dissonante, inconcebível muitas vezes, mas comigo mesmo. Essas sensações que eu adquiri com a amiga solidão, me imposta já há alguns anos, me fizeram obter uma visão de mundo talvez fantasiosa, sim, mas não na sua essência. A fantasia serve para amenizar o efeito do “veneno”. A realidade serve para pôr os pés no chão, para descermos das nossas incomensuráveis galáxias de sonhos e futilidades, desespero da alma, sons difusos, contraste de sentimentos, enfim, apenas sensações.

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