Meu maior inimigo está dentro de mim. Como eu faço pra fugir de mim mesmo? Toda hora percebo que, do meu interior, brotam todos os contrastes. Num só salto, eles explodem e me prendem. Tento escapar. Tento me agarrar, pois talvez eu me contenha. Há um abismo entre o que eu sou e todas as diferenças que estão lá fora! Me sufoca , me constange, me agride, como um estripar de pele. Soergue-se meu vazio, sai pela boca como um vulcão adormecido e que agora extrapola com toda a sua força. Mas, até quando poderei me conter? Vivo cada segundo na expectativa de que um dia eu escape. Dar uma chance à chance. Um dia, um só momento queria que fosse como eu sonhei. Só aquele instante e depois o fim. Então eu sucumbo. Me encontro e me aperto. Quero dessa vez ficar colado a mim? Me pergunto, então: o que acontece depois?
quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009
Preconceitos
Nossos rompantes e presunções às vezes prejudicam muito a forma com que enxergamos o mundo. A história já provou que passamos por tantos momentos difíceis, sobretudo o fato de ultrapassarmos muitas barreiras outrora inimagináveis, libertando-nos assim de velhos paradigmas que em tanto tempo tolheram nossa vivência. A sociedade é importante, no sentido de dar-nos equilíbrio, a fim de mantermos um convívio social ético, coerente, porém idiossincrático, para que não pareça tão imposto como o é originalmente. A presença de uma conscientização mais apurada e perspicaz faz com que desvencilhemos certos hábitos que nem sempre condizem com a nossa realidade mas com um desejo ardente de parecer corretos. Um exemplo interessante é o das pessoas, que por puro falso moralismo, ou até mesmo porque estão assustadas, enchem as ruas de cartazes com fotos de pessoas desaparecidas ou que já morreram vitimadas pela violência. O irônico reside no fato de que, em diversos casos, esses mesmos promovem um caos dentro de suas casas ou contribuem discreta e inconscientemente para o infortúnio das agressões familiares, que também são violência. Temos o estranho hábito de condenarmos aquilo que socialmente é visto como correto, todavia há dificuldade em nos voltarmos para dentro de nós mesmos e infringir à mente um contraponto que nos alertará caso passemos por determinadas situações. Nos relacionamentos, principalmente, é primordial que haja reciprocidade na compreensão de que cada um é o que é. Nossa seletividade só vai impedir que ampliemos nosso leque de oportunidades para um aperfeiçoamento do caráter construído em alicerces mais humanos e dignos. Aceitar o indivíduo como ele é e não o invalidando por pensar de forma diferente ou por ter hábitos distintos dos nossos deveria ser nossa meta. Assim, a sociedade e seus valores devem ser filtrados a fim de evitar relações extremistas e de envolvimento superficial, emergindo para um futuro mais altruísta e uma sobrevivência mais amena em face de tantos desequilíbrios encontrados no mundo. Utópico demais? Ao menos tentemos.
sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009
Maniqueísmo
O mal sempre precede o bem. Se fizermos uma análise da história do mundo e de nossas próprias vidas, chegaremos à triste conclusão de que passar por veredas estreitas é típico da raça humana. Apesar disso, o homem ainda não aprendeu a se conhecer e a conviver bem com os outros. Quantos casos conhecemos de indivíduos que perpassaram lutas e desafios, enfrentaram dificuldades, conviveram com a desgraça e a desilusão e até com a morte? O mal, assim, não deve ser visto como desesperança mas como construção do caráter e aprendizado constantes. Os problemas sempre vão existir e devemos aprender a conviver com os tais e abdicar do orgulho para um altruísmo que nos enriquecerá conforme passemos pelas tribulações. Lembre-se de que para conquistar qualquer ganho, primeiro você teve que perder. Se não o fizer dessa forma, provavelmente foi barganhado com engano, ou corruptamente. Uns perderam algum dinheiro, outros ganharam a solidão, outros tiveram que sentir saudade, outros perderam uma parte do corpo, e alguns entregaram a vida. Será que nós estamos dispostos a enfrentar os males que a vida nos obriga a passar? Ou nos acovardaremos e permaneceremos sempre com os olhos do coração fechados?
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009
Inteligência
Às vezes me pergunto se nosso conceito de inteligência é correto. Quando perguntados sobre quais pessoas admiramos em relação à sapiência, logo nos vem à mente célebres nomes. Indivíduos que superaram barreiras as mais improváveis e que transformaram as portas fechadas em janelas abertas. Lembro-me bem de uma jornalista que, em reportagem no sertão da Paraíba, perguntou a um agricultor como ele sobrevive com o analfabetismo. Ele então, pegando um pouco de água com as duas mãos, mostrou-lhe um peixinho esverdeado. A senhora sabe em que época ocorre a desova desse peixe?
Sensações
As neuroses sempre me perseguiram. Tinha medo de tudo. De ir à escola. De falar com desconhecidos, de conversar, de brigas, de trovão e relâmpago, tinha medo, muito medo. Tinha medo de viver, de enfrentar as situações mais simples que fossem. Quando adolescente tinha medo do exército. Tinha cisma com o corpo, com a cara, achava que iria morrer cedo. Assistia às tragédias, acidentes, assassinatos e pensava que logo chegaria a minha vez. Na verdade, foi tudo sempre um drama. Melindroso? talvez eu seja. E o sou realmente. Não, na verdade o fui. O que eu sempre amei mesmo foram as sensações. Era salvo por elas. Quando aturdido pelos vendavais da tão exaurida ação de viver, de passar as horas, de cruzar os momentos, ultrapassá-los ou burlá-los, a bonança chegava com o frescor das sensações. Os desejos, as atrações, os sentimentos, as pessoas (algumas, muito poucas é claro). Eram momentos raros. Era a minha fuga. Até hoje uso esses artifícios. É um mecanismo de defesa. Eu sou dissonante, inconcebível muitas vezes, mas comigo mesmo. Essas sensações que eu adquiri com a amiga solidão, me imposta já há alguns anos, me fizeram obter uma visão de mundo talvez fantasiosa, sim, mas não na sua essência. A fantasia serve para amenizar o efeito do “veneno”. A realidade serve para pôr os pés no chão, para descermos das nossas incomensuráveis galáxias de sonhos e futilidades, desespero da alma, sons difusos, contraste de sentimentos, enfim, apenas sensações.
Apresentação
Quando somos crianças não sabemos onde estão os limites entre o real e o imaginário. Já na fase adulta alguns de nós vivemos na linha tênue entre os mesmos. Outros preferem dizer “entre a realidade e a loucura”. Mas a loucura também é uma fuga. E mais, uma fuga total. É a anulação da existência. É a completa negação da vida. Não sei se forçosa, mas teimosa, sim, persistente e insistente. Eu não persegui a vida, ela quem me perseguiu. Obrigou-me a viver lado a lado, experimentando , abrindo as portas, as descobertas, intimidade, reconhecimento de sua área, sua influência, suas oportunidades, suas caras, enfim, tudo dela. Ainda me indago e ainda interrogo.
Sempre fui seletivo. A vida é seletiva. Ela escolhe a quem premiar e para que não pareça que Deus é injusto recorre-me que algumas coisas existem (e subsistem) para compensar outras. Deus é o “arquiteto”. Nós os arranha-céus, vistos no avião como bloquinhos de brinquedo. “Haja luz; e houve luz”. Depois, “façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança”. Nasceu a vida, semi-vida, pseudo-vida, fabricada, pré-moldada, pré-concebida, rarefeita. Hipoteticamente a forma mais inteligente da existência. Nós os homens, que pensamos que vivemos. Inteligente? Racional, talvez. Perspicácia? Pré-destinação? Audácia? Ociosidade? Mas em que circunstâncias se deu a invenção humana? Bem, não cabe a mim instá-lo. O que me impressiona é o trabalho. A força desprendida pra criar-se a mais impressionante então a mais tola das invenções. Talvez um bocejo de marasmo nos altos céus. Fez-se homem e presa nele a vida, esta que os senhores tanto anseiam, tanto lutam para permanecer, algo mais e mais a cada dia. Perscrutar-se, é o que eu faço todos os dias da minha opaca existência. Acho que todos nós já nos perguntamos, as famosas questões, indagações, blasfêmias saudáveis, cheias, infinitas, insólitas, também desprezíveis, mas suaves e amenas, compreensíveis na medida do possível. O que acontece é que estou tentando fazer os encaixes. O quebra-cabeça rendeu-me uma vida, nem tantos anos assim, o bastante para chegar a algumas conclusões e estabelecer aqui para os leitores raros alguma idéia do que seja essa confusão que nos tornamos. Vamos agora passar por todas as etapas. Nada de generalizações mas nos damos aos exemplos. Cada uma tem uma visão diferente. Há coisas que nos são comuns. É o ponto que me interessa. Estabelecer conexões.
Sempre fui seletivo. A vida é seletiva. Ela escolhe a quem premiar e para que não pareça que Deus é injusto recorre-me que algumas coisas existem (e subsistem) para compensar outras. Deus é o “arquiteto”. Nós os arranha-céus, vistos no avião como bloquinhos de brinquedo. “Haja luz; e houve luz”. Depois, “façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança”. Nasceu a vida, semi-vida, pseudo-vida, fabricada, pré-moldada, pré-concebida, rarefeita. Hipoteticamente a forma mais inteligente da existência. Nós os homens, que pensamos que vivemos. Inteligente? Racional, talvez. Perspicácia? Pré-destinação? Audácia? Ociosidade? Mas em que circunstâncias se deu a invenção humana? Bem, não cabe a mim instá-lo. O que me impressiona é o trabalho. A força desprendida pra criar-se a mais impressionante então a mais tola das invenções. Talvez um bocejo de marasmo nos altos céus. Fez-se homem e presa nele a vida, esta que os senhores tanto anseiam, tanto lutam para permanecer, algo mais e mais a cada dia. Perscrutar-se, é o que eu faço todos os dias da minha opaca existência. Acho que todos nós já nos perguntamos, as famosas questões, indagações, blasfêmias saudáveis, cheias, infinitas, insólitas, também desprezíveis, mas suaves e amenas, compreensíveis na medida do possível. O que acontece é que estou tentando fazer os encaixes. O quebra-cabeça rendeu-me uma vida, nem tantos anos assim, o bastante para chegar a algumas conclusões e estabelecer aqui para os leitores raros alguma idéia do que seja essa confusão que nos tornamos. Vamos agora passar por todas as etapas. Nada de generalizações mas nos damos aos exemplos. Cada uma tem uma visão diferente. Há coisas que nos são comuns. É o ponto que me interessa. Estabelecer conexões.
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